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Tromboembolismo venoso


Tromboembolismo venoso


Problema é muito freqüente, de difícil diagnóstico, e pode levar à morte 

Um grave problema, ainda subestimado no Brasil. Assim pode ser caracterizado o tromboembolismo venoso (TEV), distúrbio considerado de difícil diagnóstico pelos especialistas, mas muito mais freqüente do que se possa imaginar, especialmente em pacientes hospitalizados ou acamados.

Segundo Cyrillo Cavalheiro Filho, chefe do Laboratório de Hematologia do Instituto do Coração (Incor), a falta de informações precisas sobre a doença no Brasil faz com que os profissionais de saúde trabalhem com dados dos Estados Unidos. As estatísticas mostram que há pelo menos 250 mil internações de pacientes com tromboembolismo venoso nos EUA por ano. “As pessoas não conhecem a magnitude do problema. O TEV mata mais do que a Aids, o câncer de mama, de próstata e os acidentes de carro juntos”, comenta. A questão é que o distúrbio pode ocorrer como causa secundária de um outro problema de saúde pelo qual o paciente foi hospitalizado.

Outro erro muito comum é pensar que o tromboembolismo venoso é freqüente apenas em pacientes que passaram por cirurgia de grande porte ou ficam imobilizados por um determinado período. Estes são alguns dos perfis de pacientes, mas a doença pode ser causada por uma série de fatores, combinados ou não, como câncer, acidente vascular cerebral, uso de medicamentos contraceptivos orais, presença de varizes e uma série de outros aspectos. 

Usado para descrever o bloqueio do fluxo de sangue dentro de um vaso sangüíneo por um coágulo, o tromboembolismo venoso manifesta-se de duas formas diferentes: pela trombose venosa profunda e pela embolia pulmonar (veja ilustração). 

Quanto à prevenção, vários estudos mostram que ela não é de fato conduzida adequadamente nem no Brasil ou no resto do mundo. Para Ana Thereza Rocha, professora colaboradora do Serviço de Pneumologia do Hospital Universitário Professor Edgard Santos, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), mais de 70% dos casos de embolia pulmonar são detectados apenas em autópsias. 

Para tentar reverter esse quadro e disseminar a divulgação de informações relativas à doença, o Grupo de Estudo em Trombose e Hemostasia (GETH), em parceria com 12 sociedades médicas, elaborou a Primeira Diretriz Brasileira para Prevenção de Tromboembolismo Venoso em Pacientes Clínicos. A expectativa dos profissionais de saúde é facilitar a identificação dos pacientes com risco de desenvolver o distúrbio. “Infelizmente, a avaliação dos pacientes por parte dos médicos ainda é precária”, ressalta Edison Paiva, professor colaborador da Clínica Geral do Hospital das Clínicas de São Paulo. “Esse grupo é formado por enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas e médicos de várias áreas.”

A diretriz recomenda, entre outros coisas, que todo paciente com idade igual ou superior a 40 anos, internado por mais de três dias, com mobilidade reduzida e outros fatores de risco associados deve receber tratamento preventivo para evitar a TEV e suas conseqüências. Informações: www.projetodiretrizes.org.br (volume 4). • 

A subeditora viajou a convite do laboratório Sanofi-aventis.

Números 

Cerca de 2 milhões de pessoas têm trombose venosa sintomática, dos quais 600 mil têm tromboembolismo venoso

Definição 

Doença de difícil diagnóstico, caracterizada pelo fluxo lento e turbulento do sangue dentro de um vaso sangüíneo por um coágulo ou trombo, resultando em focos de estagnação do sangue. Há duas manifestações diferentes: a trombose venosa profunda (TVP), que ocorre quando há a formação do coágulo na veia profunda da perna, coxa ou pelve; e a embolia pulmonar, que surge quando o coágulo se desprende da perna, cai na circulação e migra para os pulmões, podendo levar ao bloqueio parcial ou total das artérias pulmonares, chegando até a casos de morte.

Fatores de risco

- Ter mais de 40 anos

- Obesidade

- Ter problemas de mobilidade (ou algum tipo de paralisia)

- Predisposição a varizes

- Problemas congênitos

- Infecções

- Câncer

- Trombofilias genéticas

- Infarto- Gravidez

- Pós-parto

- Doenças agudas e crônicas

- Distúrbios intestinais inflamatórios

- Terapia de reposição hormonal

- Pílula anticoncepcional 

- Trauma- Acidente vascular cerebral (AVC)

- Fraturas

- Lúpus eritematoso

- Cirurgias

- Redução de células vermelhas

Fatores desencadeantes

• Redução do fluxo de sangue no interior do vaso

Isso ocorre quando uma pessoa está engessada, de cama ou permanece sentada por muito tempo (em viagem prolongada)

• Coagulação aumentada do sangue

Isso pode ocorrer em pacientes com câncer ou que perderam muito sangue em uma cirurgia. Algumas doenças genéticas mais raras podem contribuir para o aumento da coagulação do sangue

• Lesões da parede interna dos vasos

Pode surgir durante uma cirurgia. O organismo tenta "consertar" a lesão, estimulando um processo exagerado de coagulação

Sintomas

Quando o tromboembolismo venoso apresenta sintomas, geralmente costumam aparecer numa só região (membros superiores, inferiores etc.) e incluem:

- Dores nas pernas 

- Inchaço (edema)

- Aumento da temperatura local

- Palidez 

Complicações 

• Síndrome pós-trombótica

Decorre das graves lesões deixadas nas veias profundas, depois da ocorrência da trombose venosa profunda. Resulta do permanente aumento da pressão do sangue no interior das veias acometidas pela trombose, com comprometimento de toda a circulação da região afetada (especialmente, nas pernas). Há formação de feridas de difícil cicatrização, dor e inchaço na região doente

• Hipertensão pulmonar

É uma conseqüência de episódios de embolia pulmonar. O permanente aumento da pressão nas artérias pulmonares leva a uma sobrecarga no coração com sintomas de insuficiência cardíaca. Cerca de 4% dos pacientes desenvolvem essa condição dois anos depois do episódio de embolia pulmonar.

Tratamento 

Recursos farmacológicos (uso de anticoagulantes)Recursos mecânicos (uso de meias elásticas de compressão venosa)

Ellen Cristie - Fonte: www.saudeplena.com.br