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Insuficiência renal crônica na infância

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Insuficiência renal crônica na infância


Assintomática e sorrateira, doença pode encaminhar criança para a diálise

Diagnóstico precoce e encaminhamento imediato ao especialista. Essas são as duas condutas iniciais indicadas para o tratamento da insuficiência renal crônica na infância. Em decorrência do reconhecimento tardio, cerca de 20% das crianças são encaminhadas tardiamente para a diálise. Além de contribuir para conseqüências graves como a deficiência física e intelectual, a demora no início do tratamento também pode aumentar o risco de doenças associadas, especialmente as de coração, principal causa de mortalidade entre pacientes renais pediátricos.

Segundo Vera Belangero, nefrologista pediátrica da Universidade de Campinas (Unicamp), e que recentemente fez palestra sobre O tratamento do paciente pediátrico com doença renal crônica, no Simpósio Nefrokids do Congresso Mundial de Nefrologia, no Rio, o diagnóstico tardio em crianças se deve, em parte, à ausência de sintomas ou inobservância dos pais com relação a queixas como dor ao urinar ou febre sem foco definido. “No caso de bebês, por exemplo, uma febre pode ser sinal de que algo está errado, mas é muito difícil que os pais relacionem o problema aos rins.”

Depois do diagnóstico, que é feito a partir da solicitação de exames específicos de sangue e de urina, o especialista, que pode ser o pediatra, o cirurgião-pediatra ou o urologista-pediátrico, avalia os níveis de creatinina (resultado do metabolismo de creatina, que se encontra nos músculos). Seu valor aumenta à medida que ocorre a diminuição da função dos rins.

Entre as causas de insuficiência renal crônica em crianças, a mais comum é a máformação do trato urinário com infecção urinária. “Por isso, é importante que as gestantes façam um ultra-som no pré-natal para que o especialista verifique o estado de funcionamento dos rins”, alerta Vera Belangero. As doenças auto-imunes, que provocam destruição dos rins, podendo ou não estar associadas a infecções também são comuns. Em menor grau, as doenças hereditárias podem contribuir para o surgimento da doença.

O tratamento é variável e depende da gravidade da doença. Os médicos geralmente usam medicamentos que mantêm a produção de sangue, além de quelantes de fosfato e polivitamínicos. Nos casos mais sérios, o especialista pode optar pela diálise peritoneal, que pode ser feita em casa, durante a noite, ou a hemodiálise via endovenosa, realizada nos centros de hemodiálise, geralmente três vezes por semana. Caso os níveis estejam bem abaixo do ideal, é recomendável o transplante, inicialmente entre parentes vivos, para a substituição do rim. “Esses procedimentos são custeados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com total assistência aos pacientes”, completa a nefrologista.

Definição

Insuficiência renal crônicoa é aquela causada por lesões (ou cicatrizes) renais irreversíveis, que fazem com que o rim não possa mais realizar suas funções. O ritmo da progressão vai depender da doença original. No caso das crianças, é imprescindível a solicitação de exames específicos durante o pré-natal para se evitar a doença

Números

Pelo menos 20% das crianças com problemas renais são encaminhadas tardiamente para diálise

Doenças associadas

• Doenças cardiovasculares (hipertensão arterial)
• Nefrite
• Diabetes
• Pedras ou cistos nos rins
• Obstruções renais

Sintomas

• Cansaço
• Náuseas ou vômitos
• Dor ao urinar
• Mudança na cor e no cheiro da urina
• Urinar na cama
• Febre sem foco definido (sem dor de garganta, sem amidalite etc.)
• Dores lombares

Causas

• Malformação do trato urinário com quadro de infecção urinária
• Doenças imunológicas auto-imunes (glomérulo-nefrites), causando inflamação dos rins
• Doenças hereditárias (em menor proporção)

Prevenção

• Exame de ultra-som no pré-natal
• Diagnóstico precoce das infecções, especialmente do trato urinário
• Diagnóstico precoce da má-formação do trato urinário (procedimento cirúrgico)

Conseqüências

• Deficiências de crescimento
• Falhas no desenvolvimento do sistema nervoso central, contribuindo para déficits intelectuais e de memória
• Anemia crônica
• Distúrbios alimentares, como anorexia, indisposição, vômitos freqüentes e diarréia aguda
• Restrição alimentar, dependendo da gravidade

Tratamento

• Ingestão de líquido e diminuição de sal
• Medicamentos para manter a produção do sangue (eritropoetina)
• Uso de quelantes de fosfato
• Uso de polivitamínicos
• Medicamentos para pressão arterial
• Diálise peritoneal
• Hemodiálise via endovenosa
• Transplante

Ellen Cristie

Fonte: www. saudeplena.com.br