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Nova técnica detecta o câncer antes dos sintomas
Combater o câncer e outros males antes mesmo que seus sintomas apareçam.
Pesquisadores chineses garantem que isso será possível em pouco tempo, graças à
detecção de pequenas moléculas conhecidas como microácidos ribonucléicos (miRNAs)
no soro, o líquido transparente separado do sangue. A descoberta é considerada
uma espécie de “impressão digital” do diagnóstico da doença. “Estamos
enfrentando uma revolução na medicina”, afirmou ao Correio Chen-Yu Zhang,
especialista Universidade Nanjing (capital da província de Jiangsu, situada a
1,2 mil quilômetros de Pequim) e autor do estudo publicado na revista científica
Cell Research. “Agora será possível diagnosticar o tumor em seu estágio mais
primitivo, por meio da nossa técnica. Nossa pesquisa é a base da medicina
personalizada”, acrescentou o chinês.
A novidade poderá ser especialmente importante para possibilitar o tratamento
de tumores que quase sempre são detectados em estágios avançados e, por isso,
apresentam pobre prognóstico de cura. Os cientistas já sabiam da associação
entre diversas doenças com a expressão desregulada de miRNAs. Zhang conseguiu
determinar padrões específicos de liberação da substância para câncer de pulmão
e colorretal, além do diabetes, por meio do Solexa, uma tecnologia de
seqüenciamento de DNA. E descobriu que as moléculas do soro podem ser retiradas
de células sangüíneas, de alguns tecidos e órgãos e de doenças específicas.
Depois de seqüenciarem todos os miRNAs em voluntários chineses sadios, os
especialistas utilizaram o Solexa para identificar 100 dessas moléculas no soro
de homens e 91 no de mulheres. Os miRNAs são ácidos ribonucléicos
não-codificados, naturalmente presentes no corpo, e com 19 a 25 nucleotídeos de
comprimento. “A alteração da biologia molecular é a base do fenótipo clínico
(mudança de características clínicas)”, explicou o especialista. “O perfil de
expressão do miRNA é o fenótipo molecular de vários males, não apenas do
câncer”, disse.
Além do Solexa, os chineses usaram o teste de transcrição reversa
quantitativa em tempo real (qRT-PCR) para avaliar a amostra do soro. “No futuro,
um chip líquido de genes será criado para detectar as moléculas diretamente”,
aposta Zhang. Personalização O que torna ainda mais importante a pesquisa da
Universidade Nanjing são as possibilidades de se obter informações sobre
mudanças comuns para alguns tipos de doença e de se determinar as prováveis
alterações específicas para cada paciente. É como se a ciência conseguisse se
antecipar à evolução da doença no corpo humano. Os atuais biomarcadores — como o
AFP (para o câncer de fígado) e o CRP (inflamação de diabetes) — apresentam
várias limitações, como poucas sensibilidade, especificidade e precisão. “O
perfil de expressão do miRNA no soro é a impressão digital de cada doença, e tem
impacto imenso no diagnóstico e no futuro da medicina personalizada”, comentou
Chen-Yu Zhang. “Pelo menos na teoria, várias doenças poderão ser diagnosticadas
por meio de nossa técnica.”
Fonte: Correio Braziliense - 03/09/2008
Jornalista: Indefinido
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