Estudo revela o porquê a soroconversão pós vacinal é tão importante para o fim da Pandemia

6/8/2021

Pesquisa, Redação e arte:
Tatiane Trindade (Assessoria Científica Gold Analisa)
Sérgio Benevenuto (Técnico Comercial Científico Gold Analisa)
Thays Bastos (Garantia da Qualidade Gold Analisa)
Alex Duarte (Analista de Marketing Gold Analisa) 
 
LuAnn
LuAnn Hunt por Pixabay 
 
A pandemia do COVID-19 ocasionada pela propagação do SARS-CoV-2 trouxe ao mundo situações irreversíveis, provocando a morte de milhares de pessoas.¹ Neste contexto, para reduzir a taxa de mortalidade, a melhor alternativa que por sinal já está sendo adotada é a imunização da população, a fim de reduzir o contágio provocado pelo vírus.² Atualmente, aproximadamente 175 grupos de pesquisas, vêm estudando a partir do mapeamento genômico do vírus divulgado em janeiro de 2020, o desenvolvimento de uma vacina que seja eficaz e que consiga diminuir os números de transmissibilidade do SARS-CoV-2.² Estão sendo utilizadas diversas tecnologias como ácidos nucleicos (DNA e RNA), uso de vetores virais (replicantes e não replicantes), vacinas virais (atenuadas ou inativadas) e as vacinas proteínas (recombinantes ou de VLP, semelhante a tecnologia utilizada na vacinas de HPV) em prol de um objetivo, minimizar os danos  causados pela COVID-19.3 
 
Pensando na liberação destes novos imunizantes é de extrema importância entender a eficácia pós vacinal em indivíduos imunizados e o impacto que o mesmo pode causar em pessoas do seu convívio. Um grupo de cientistas das universidades de Glasgow e de Edimburgo, do Imperial College e da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres,  liberou uma prévia da pesquisa realizada na Escócia, sobre o estudo que demonstra como as vacinas podem reduzir o índice de transmissão do vírus entre indivíduos vacinados e não vacinados.  O estudo foi realizado entre 08 de dezembro de 2020 a 03 de março de 2021, envolvendo 194 mil pessoas - 144 mil funcionários da Public Health Scotland (PHS), serviço público de saúde, e seus familiares.Foram selecionados trabalhadores da saúde, em sua maioria jovens, vacinados, que mantinham moradia junto a familiares não vacinados e trabalhadores não vacinados que moram com familiares não vacinados. Para o estudo foram utilizadas duas vacinas, Oxford/AstraZeneca, em menor parcela, já que a maioria dos funcionários haviam recebido o imunizante da  Pfizer-BioNTech, ambas já adotadas pela campanha de vacinação no Brasil.4
 
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Contabilizando os casos de Covid-19 e hospitalizações nos dois grupos, verificou-se que  os indivíduos que moram na mesma casa em que os trabalhadores que foram vacinados, tiveram uma probabilidade de redução de 30% nas chances de contrair a Covid-19 em relação aos trabalhadores não vacinados, mediante a aplicação das duas doses. Há de se considerar que a proteção poderia ser maior caso os familiares dos trabalhadores vacinados não tivessem contato com outras fontes de coronavírus, podendo chegar a redução há 60%, o que comprova que se apenas uma pessoa da casa estiver vacinada, diminui consideravelmente a chance das outras pegarem a doença, portanto com estes resultados é possível acreditar que a imunização pode controlar o avanço da pandemia.4
 
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Segundo a Rede Nacional de Dados em Saúde - RNDS, conforme consulta realizada em 02 de agosto de 2021, no Brasil há 41,49 milhões de pessoas totalmente vacinadas, isso corresponde a 20,2% da população brasileira.5 Devido ao baixo percentual de vacinados, é de extrema importância o diagnóstico para detecção de anticorpos, seja ele produzido através do contato direto com o vírus ou devido a ação da vacina, para que assim possa ser realizado o controle epidemiológico , diminuindo o índice de transmissibilidade e consequentemente de casos da doença e de óbitos que, segundo o Ministério da Saúde até o dia 05 de Agosto ocasionou a morte de 559.607 mil pessoas.6
 
Para auxiliar no controle da doença, o mercado atual oferece testes para dosagem de anticorpos IgG/IgM. Embora ainda exista uma escassez de informações referente a produção de células de defesa contra o SARS-CoV-2, sabe-se que de modo geral, os anticorpos são produzidos mediante a detecção das proteínas virais ou das formulações vacinais, através dos linfócitos B, o qual tem em sua membrana anticorpos denominados de BCR, que fazem o reconhecimento das proteínas dos vírus ou vacinas administradas. Após a endocitose para dentro dos linfócitos B, estas proteínas são fragmentadas e apresentadas através de receptores de MHC de classe II para os linfócitos T CD4+, também chamado de auxiliar (Helper), que ativa os linfócitos com ajuda de ligantes como os receptores de adesão, interferon gama, e principalmente CD40R que manda sinais mais fortes para os linfócitos B iniciando a produção dos anticorpos.
 
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Fonte: Sanofi conecta: Resposta imunológica ao SARS-CoV-2 simplificada. (Adaptado de Callaway E. Nature 2020;580(7805):576–7.2)
 
Na primeira etapa são produzidas e liberadas as imunoglobulinas M (IgMs). Neste momento em que os linfócitos começam a produzir e liberar as IgMs eles são chamados de plasmócitos. Quando termina o processo de apresentação de proteínas os linfócitos T CD4+, param de produzir IgM e começam a produção de células de memórias, chamadas de IgG e estas podem ser dosados em laboratório.7 Já para identificação da soroconversão pós vacinal estão disponíveis os testes Anti-RBD (Receptor Binding Domain) que na verdade se trata de uma subunidade da proteína S1 que permite a entrada do vírus na célula. Acredita-se  que quando o indivíduo é vacinado com proteínas recombinantes ele começa a produzir anticorpos contra o RBD, sendo assim o vírus não terá capacidade de entrar na célula. Os testes imunocromatográficos nAB para fins de diagnósticos da soroconversão são baseados no princípio do imunoensaio de sanduíche com antígeno duplo para a determinação de anticorpos RBD 2019-nCoV em amostras de sangue total humano, soro e plasma. 
 
Por fim, é possível crer que estas tecnologias e estudos que estão em constante aprimoramento poderão diminuir a taxa de contágio e como resultado, a redução dos índices de mortalidade. 
 
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REFERÊNCIAS
1 - Gao Q, Bao L, Mao H, Wang L, Xu K, YangM, et al. Desenvolvimento rápido de uma vacina inativada para SARS-CoV-2 [Internet]. Microbiologia; 2020 de abril [citado em 14 de outubro de 2020]. Disponível em: http://biorxiv.org/lookup/doi/10.1101/2020.04.17.046375  
2 - Jorge E, Mapurunga A. Ávila R,et al. Vacinas para COVID-19 Rev. Bras. Saude Mater. Infant. 21 (Suppl 1)  Fev 2021  https://doi.org/10.1590/1806-9304202100S100002
3 - Mukherjee R. Global efforts on vaccines for COVID-19: Since, sooner or later, we all will catch the coronavirus. J Biosci. 2020; 45 (1): 68.
4 - Folha de São Paulo / 14.mar.2021, https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2021/03/vacinacao-de-profissionais-de-saude-reduz-contagio-domiciliar-indica-estudo.shtml
5 - Gov.br - Governo do Brasil Ministério da Saúde / 02.ago.2021, https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao
6 - COVID-19 NO BRASIL / 05.ago.2021,  https://qsprod.saude.gov.br/extensions/covid-19_html/covid-19_html.html
7 - ABBAS, A. K.; LICHTMAN, A. H.; PILLAI, S. H. I. V Imunologia celular e molecular. 7. Ed. Rio de Janeiro:Elsevier,2012.
 
 
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