Estudo revela possível marcador lipídico para microcefalia causada pelo vírus da zika

1/9/2021

Mais um avanço da ciência…

 

Pesquisadores do Centro de Pesquisa de Processos Redox em Biomedicina, CEPID Redoxoma da Fiocruz do Rio de Janeiro e Bahia, estudam as possíveis causas das complicações pela exposição transplacentária em recém nascidos contaminados pelo zika virus (ZIKV), durante a gestação, causando anormalidades no desenvolvimento neurológico em bebês, assim como microcefalia, levando à convulsões, alterações auditivas e visuais, dificuldade de deglutição e até mesmo a morte fetal.

Pensando nestas afirmações, o diagnóstico precoce em recém nascidos com suspeita de contato antenatal ao ZIKV é de extrema importância para direcionar o paciente ao tratamento adequado. As alterações moleculares causadas pelo ZIKV ainda é desconhecida, mas os estudos e pesquisas já realizadas indicam que  a transmissão do vírus acontece através da placenta gerando um processo inflamatório e consequentemente alterando o  envio de sinais e nutrientes como glicose, aminoácidos e lipídios. Essa transmissão pode gerar também uma reprogramação do metabolismo placentário causando lipogênese, uma nova síntese indesejada de ácidos graxos e triglicérides, com o acúmulo de lipídios citosólicos, sendo provável que estas alterações possam influenciar no metabolismo dos lipídios transplacentários acarretando possíveis complicações no desenvolvimento fetal.

Tendo em vista estes dados, o grupo de Pesquisa de Processos Redox teve como objetivo comparar o perfil lipídico do plasma de recém-nascidos expostos ao ZIKV com microcefalia (Grupo 3), normocefálico (Grupo 2) com um grupo de controles não infectados (Grupo 1), e os resultados foram promissores  identificando e quantificando 274 espécies de lipídeos. Foram encontradas, nos grupos G2 e G3, concentrações mais baixas de várias espécies de ésteres de colisteril (CE), glicerofosfolipídeos (principalmente fosfatidil-etanolamina e -inositol) e concentrações mais altas de fosfatidilcolina, esfingomielina e ácidos graxos livres (FFA) em relação ao grupo não infectado G1. Os grupos expostos ao ZIKV também exibiram uma tendência para concentrações elevadas de espécies (TG) ligadas aos ácidos docosahexaenóico e araquidônico em relação ao G1, enquanto o G1 foi enriquecido em espécies TG ligadas ao ácido linoléico em relação a G2 e G3. 

Os pesquisadores afirmam que ainda são necessários novos estudos com um grupo maior de amostras a fim de utilizar o perfil lipídico presente no plasma como marcadores para diagnóstico precoce de recém- nascidos com possível contaminação ao ZIKV.

 

Para saber mais sobre a pesquisa feita pelo Centro de Pesquisa de Processos Redox em Biomedicina, como os resultados, metodologias e discussões, segue o link do  artigo original:

https://journals.plos.org/plosntds/article?id=10.1371/journal.pntd.0009388